terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sinto, sinto muito

Sinto muitas saudades.
Sinto muitas vontades.
Eu sinto muito, em muitas horas.
E ás vezes eu não sinto nada.

Sinto que tudo poderia ser diferente,
se não fosse o tanto que eu sinto,
e o tanto que eu sempre preciso sentir.

Sinto que eu perco muita coisa.
Sinto que me perco.
E sinto mais ainda pelas coisas que se perdem.

Sinto, por que qual o sentido de não sentir?
Por que não sente o tanto que eu sinto?
Quer que eu te ensine a sentir?
Sente muito, ou não sente?

Afinal, o que sentes?
Acho que não devo mais sentir,
mas gosto muito do que sinto.
Me ensina como não sentir?!

por não estarem distraídos

"havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. por causa de carros e pessoas, às vezes se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. como eles admiravam estarem juntos!

até que tudo se transformou em não. tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. então a grande dança dos erros. o cerimonial das palavras desacertadas. ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. no entanto ele que estava ali. tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
tudo, tudo por não estarem mais distraídos".

Clarice Lispector

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Sobre ranzizices, egoísmos e outras nóias.

Vira e mexe de mau humor, constantemente preocupada e sempre atrasada. O tempo que tenho, reclamo. Quanto mais ouvidos melhor - não ao mesmo tempo, claro. Diferentes ouvidos para que eu possa reclamar sem o receio de estar enchendo a mesma pessoa com reclamações antigas. Na verdade diferentes ouvidos é diretamente proporcional a minha vergonha quase que inescrupulosa – quase, salvo aos lampejos de bom senso que tenho vez ou outra.

Dei pra colecionar inimizades, xingar a vizinha e a reforma que ela está fazendo há uns 3 meses. Dei também pra ignorar tudo quanto é conselho, como se o mundo inteiro estivesse jogando War comigo, e coincidentemente todos tivessem tirado o mesmo objetivo: destruir o exército preto. No mais, a conta que eu sempre tenho que pagar, o armario que eu nunca arrumo, a luz queimada, o creme vazio na prateleira, a louça pra lavar, e a roupa que nunca seca.

Do alto do meu egocentrismo, não posso concluir outra coisa : Todo mundo quer me fuder!

Ninguém liga pra nada, tampouco ligo também. Não, ligo sim! Ligo até pra infeliz da vizinha. E pior, também quero que ela se foda!

E quer saber do que mais? Todo mundo é um monte de merda, não mais só a vizinha! Eu também, sou tão merda quanto ela!


...

Oi?! Quem é essa menina, e o que fizeram com a Pâmela ?! (tua Cito)

...



Meu horóscopo diz que os trânsitos astrológicos não estão favoráveis por esses dias, Marte está em oposição à minha Lua Natal (independente do que isso signifique). Minha terapeuta diria que continuo a criar aramadilhas para me auto-sabotar. E minha mãe certamente me diria : Calma, Pâmela! Não precisa levar tudo a ferro e fogo...a vida é assim mesmo, lindinha!
Eu torço para que seja TPM...



E aí, alguém quer casar comigo?

domingo, 5 de outubro de 2008

Mensagem para o fantasma do buraco

Caímos em um buraco. Negro, escuro, sem tamanho, nem proporção. Nos comunicamos através das batidas e ruídos que ecoam aleatoriamente. Num distúrbio de comunicação a mensagem nos chega assim ,alterada, ressentida, magoada e um tanto atrasada.
O emissor não conhece o receptor. A bem da verdade , eles se conhecem, mas não tiveram a sorte de serem reapresentados. Continuam a mandar sinais para conhecidos de um passado velho, doentio e insensato.
Uma conversa de louco, que parte de uma mulher e chega á um menino; e que vem na contramão de um homem para uma garota. Não há o que dizer para os rostos do passado. Não cabem mais os insultos de outrora, nem os sonhos de passagem de uma vida amena. Meus planos de vida não reconhecem mais o estranho de ontem. Não foi você por quem me apaixonei. Viramos fantasmas meu bem.
Nada pior poderia ter acontecido. Não mais me conhece. Não mais te entendo. Não mais posso te oferecer abrigo, nem beijo, nem abraço de saudade. Não mais me me ofende, nem encanta, nem surpreende.
Não mais promessas. Não mais fantasias.
Não falamos mais a mesma língua. Acho que nem nunca falamos, mas as palavras não mais fazem sentido. É tudo um monte de besteira que eu teimo em colecionar.
Eu não sou mais "ela", você não é mais "ele".
Somos agora estranhos fantasmas que perderam a fala, perderam o tempo. Perderam a chance, perderam o amor.
Somos nada.
Eu, você, um nada na exatidão.
E como me incomoda esse nada.
Não restou herança, nem um bocado de esperança.
Nem vingança restou.
Restou só uma dissonância. O diálogo do passado, a vontade contida, e o eterno desabafar.
Restou pra ti mais uma vez as palavras, como sempre atrasadas, e o suspiro de saudade.
E para mim, que nunca fui tua, me restou a despedida
Digo agora adeus.
Mas sabe-se lá qual dia ele chegará á você.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Precisa-se de uma nova muleta

Acabo de me dar conta que o velho fantasma foi embora; o encosto não pesa mais em minhas costas. Não houve uma despedida, nem uma briga muito séria. Os traços não resistiram ás traças, nem á minha fraca memória. Também meu amor não resistiu.
A saudade foi tomada pela pressa, e os sonhos ficaram guardados na caixa de Pandora. Uma indiferença apática que não posso, e nem quero compreender me assegura.
Numa sucessão de desentendimentos, o final não poderia ser diferente de todo o enredo. Não tenho mais vontade de tentar, também não acredito mais. Se não sofro, e se não me dá prazer, não posso amar. Se não conheço seus desejos, e não sei de seus medos, também não o conheço.
Mas se antes a angústia primeira era o quanto ele pesava, me preocupa agora não saber seu paradeiro. Quem me fará companhia de agora em diante? O que faço com essa liberdade depois de tanto tempo presa na torre do castelo? E o que faço com meu pote de lágrimas? A quem dirigirei meus pensamentos agora?
Não sei se deu de um dia para o outro, ou se ensaiava essas falas há algum tempo. Só sei que simplesmente não mais me importa. É estranho não ter mais a velha muleta companheira. Mais estranho ainda é sentir falta do peso desnecessário de uma quinquilharia que guardei só por teimosia.
O feitiço se desfez...
O encantamento, as fantasias, nada mais faz sentido. O sonho eterno ficou velho. Tudo se tornou chato e cansativo.
Não foi suficiente, ou não fui deveras persistente. Desculpe se as juras não alcançaram a eternidade, mas meu amor não cabe em ampulhetas. Tampouco pode ser testado pela minha paciência, ou por tua boa vontade.
Vou-me embora, acabou!
É clichê, mas foi bom enquanto durou. Deixo todas as boas risadas, os choros no quarto escuro, e os suspiros de um leve esperar. Deixo também todo o desassossego, as angústias, as mágoas. Vou embora sem nada.
Os planos, o reencontro, a reconciliação... talvez fique para uma outra vida, embora você não acredite nessas coisas.
Cansei de te esperar...
Preciso de novos sonhos, outras conversas. Algo que me motive na mesma intensidade, e que me encante com sincera reciprocidade. Preciso do que me deu há tempos atrás, mas não preciso mais de você.
Podes guardar se quiseres todos os textos que escrevi para você. Eles são teus, sempre foram, embora nunca tenha lhe mostrado. Escondi de você durante anos o que talvez sonhes em ouvir durante toda a vida. Escondi de você não só isso. Escondi todo o abalo que causou em minha vida. Escondi de mim mesma o que achei escondido em você.
Mas agora não quero mais esconder nada. Ta tudo aí!
Não me importa o que irás pensar. É tudo teu, pode levar.
Conseguiu o que queria?
Agora pode ficar...
é leve demais para eu carregar.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Os óculos escuros


ESCONDER. Figura deliberativa: o sujeito apaixonado se pergunta, não se deve declarar ao ser amado que o ama (não é uma figura de confissão) mas até que ponto deve esconder dele suas “perturbações” (as turbulências) da sua paixão: seus desejos, suas aflições, enfim, seus excessos (na linguagem raciana*: seu furor).


1.X...saiu de férias sem mim, e não me deu nenhum sinal de vida desde a sua partida: acidente? greve dos Correios? Indiferença? Tática da distância? exercício de um querer – viver passageiro (“sua juventude é gritante, ele não ouve”) ? ou simples inocência? Cada vez mais me angustio, passo por todos os atos do roteiro da espera. Mas assim que X... reaparecer de uma maneira ou de outra, pois não pode deixar de fazê-lo (pensamento que deveria imediatamente tornar vã toda angustia), que lhe direi? Devo esconder dele minha perturbação? – que já passou (“como vai você”) Fazê-la explodir agressivamente (“Não está certo, você bem que poderia...”) ou dramaticamente (“Que preocupação você me deu”)? Ou ainda, deixar passar delicadamente essa perturbação; ligeiramente, para torná- la conhecida sem afligir o outro (“Eu estava um pouco preocupado...”) Uma segunda angústia toma conta de mim, que é de ter que decidir sobre o grau de publicidade que darei a minha angustia primeira.

2. Estou preso num discurso duplo do qual não posso sair. De um lado, me digo: e se o outro, por alguma disposição de sua própria estrutura precisasse do meu chamado? Eu não ficaria, então, justificado de me abandonar á expressão literal, ao dizer lírico de uma “paixão”? O excesso, a loucura, não são eles minha verdade, minha força? E se essa verdade, essa força, acabassem por impressionar? Mas, por outro lado, me digo: os signos dessa paixão podem sufocar o outro. Não seria então preciso, precisamente porque o amo, esconder dele o quanto o amo? Vejo o outro duplamente: ora o vejo como objeto, ora como sujeito: hesito entre a tirania e a oblação. Envolvo a mim mesmo numa chantagem: se amo o outro, sou obrigado a querer o seu bem; mas com isso só posso me fazer mal: armadilha: sou condenado a ser santo ou monstro; santo não posso, monstro não quero; então tergiverso: mostro um pouco minha paixão.

3. Impor a máscara da discrição (da impassibilidade) à minha paixão: eis aí um valor propriamente heróico: “É indigno das grandes almas espalhar ao seu redor a perturbação que sentem” (Clotilde de Vaux); o capitão Paz, herói de Balzac, inventa para si mesmo uma amante falsa, para ter certeza de esconder da mulher do seu melhor amigo que morre de amor por ela. Entretanto, esconder totalmente uma paixão (ou mesmo simplesmente seu excesso) não é conveniente: não porque a pessoa humana seja muito fraca, mas porque a paixão é, por essência para ser vista: é preciso que se veja o esconder: saiba que estou lhe escondendo alguma coisa, esse é o paradoxo ativo que tenho que resolver: é preciso ao mesmo tempo que isso se saiba e que não se saiba: que se saiba que eu não quero mostrá-lo: eis a mensagem que dirijo ao outro. Larvatus prodeo: avanço mostrando minha máscara com o dedo: ponho uma máscara sobre a minha paixão, mas designo essa máscara com um dedo discreto (e insinuante). Toda paixão tem finalmente seu espectador : na hora de morrer, o Capitao Paz não pode se impedir de escrever à mulher que ele amou em silêncio: não existe oblação amorosa sem teatro final: o signo é sempre vencedor.

4. Imaginemos que eu tenha chorado, por causa de algum incidente do qual o outro nem mesmo se deu conta (chorar faz parte da atividade normal d corpo apaixonado), e que, para que não se veja, ponho óculos escuros nos meus olhos embaçados (belo exemplo de denegação: escurecer a vista para não ser visto). A intenção do gesto é calculada: quero guardar o benefício moral do estoicismo, da “dignidade”(me tomo por Clotilde de Vaux), e ao mesmo tempo, contraditoriamente provocar a doce pergunta (“Mas o que é que você tem? ”); quero ser ao meso tempo lamentável e admirável, quero ser no mesmo instante criança e adulto. Agindo desse modo, jogo, arrisco: pois é sempre possível que o outro não pergunte nada sobre esses óculos inusitados, e que, na verdade, não veja neles nenhum signo.

5. Para fazer compreender ligeiramente que sofro, para esconder sem mentir, vou utilizar uma hábil preterição: vou dividir a economia dos meus signos.
Os signos verbais ficarão encarregados de calar, de mascarar, de tapear: não demonstrarei nunca, verbalmente, os excessos do meu sentimento. Não tendo dito sobre os estragos dessa angustia, poderei sempre, quando ela tiver passado, ter certeza de que ninguém terá sabido dela. Força da linguagem: com minha linguagem posso fazer tudo: até e principalmente não dizer nada.
Posso fazer tudo com minha linguagem, mas não com o meu corpo. O que escondo pela linguagem meu corpo o diz. Posso modelar á vontade minha linguagem, não minha voz, o outro reconhecerá que “eu tenho qualquer coisa”. Sou mentiroso (por preterição), não comediante. Meu corpo é uma criança cabeçuda, minha linguagem é um adulto muito civilizado...

6. ... de modo que uma longa sequência de contenções verbais (minhas “civilidades”) poderão de repente explodir em alguma revulsão generalizada: uma crise de choro (por exemplo), diante dos olhos espantados do outro, virá arruinar bruscamente os esforços (e os efeitos) de uma linguagem tanto tempo fiscalizada. Expludo: conhece então Fedra e todo o seu furor.

Texto retirado do livro Fragmentos de um discurso amoroso, Rolland Barthes.

sábado, 23 de agosto de 2008

procurando se encontrar

Vou escrever sim, escrever para você. Esse alguém já teve nome e endereço, hoje anda perdido procurando se encontrar. Não tem mais morada, nem abraço de saudade, não ouve mais suspiros, nem risadas. Tem cara de independente, pose de malandro. De conselheiro é bom de doer. Sensato, prudente, cheio de valores lacrados. Controla seus pudores, se enche de vícios, foge do aperto e só faz saudar a liberdade. Se engana a cada esquina, sente pena, raiva, um misto de desprezo e desilusão; mas nunca se cansa, só faz esperar. O caminho de casa já esqueceu, mas tá louco pra voltar. Dia desses encontrei com ele na rua; foi rápido, mas entendi o que ele quis dizer.

Perguntei a ele se ele não tinha medo do tempo, e calmamente ele me respondeu:

Medo de que?
O tempo só passou para você.

Boa noite

Meu coração quase pulou pela boca. Um descontrole total, poucas vezes na vida passei por isso. Pálida, trêmula, ansiosa, desconcertada. Era chegada a hora, depois de longos anos á espera. Foi tudo tão rápido, mal me dei conta do que dizia, as palavras faziam tanto sentido. Fui sincera, como jamais havia sido na vida. Sem máscaras, sem medo, sem segundas intenções. A conversa era comigo mesma, uma briga entre mim e o meu eu mais escondido. Nada de brincadeiras, não tenho mais tempo para brincar de esconde-esconde.
Meu corpo era assim descoberto á cada frase. Todos os meus pudores sumiram com aquela hostil familiaridade.Tomada por uma segurança incrivelmente estranha andei mais da metade do caminho em apenas uma hora. Não foi fácil, nunca é. Restaram alguns trapos só para me proteger no frio. Essa noite deixei que o estranho dormisse nos meus sonhos. Estou certa que também dormi nos sonhos dele.
Boa noite e até breve!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Tem ?!

Quero coisa nova, diferente, inusitada.
Desconhecida e impresível.
Quero surpresa, indagação.
Quero bagunça!
Quero aluma coisa que nunca tive.
Perguntas sem respostas.
Insônia, loucura, mistério.

Quero vontade.
Não a minha, vontade própria.
Algo atípico, sem forma, vibrante.
Incomum, inverso, instável.
Nem justo, nem largo.
Do tamanho que quiser.

Quero tudo sem limite.
Não tem pra quando, nem até onde.
Não tem tempo, nem conceito.
Não tem explicação, nem suspeita.
Não tem...
Tem ?!

terça-feira, 29 de julho de 2008

Talvez

Talvez você não saiba, ou não entenda a sutil diferença que existe entre a liberdade e a impulsão.
Talvez você não compreenda que ser livre não é exatamente fazer o que se bem entende.
Talvez você nem tenha se dado conta que a liberdade que lhe é oferecida, algum dia lhe será cobrada.
Talvez você acredite que certo e errado são juízos de valores que servem para limitar, ou justificar suas vontades.
Talvez ainda você pense que tudo isso é um blablabla moralista, hipócrita e banal.
Talvez você não saiba que tua razão é bem diferente da minha.
Talvez você não enxergue.
Talvez, talvez, talvez...
Sinceramente, não me importa se será!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Eu voltei

Queria que mais alguém soubesse
Justo que seja você!
Andei sumida, andei doente
Andei, andei
Ah como andei!
Andei em círculos
Visitei velhos amigos
Conheci pessoas
Perdi algumas chaves
Comprei alguns relógios
Fiz mudança
Joguei muitos papéis fora
Voltei a brincar de esconde-esconde
Pulei alguns muros
Me enrosquei em algumas cercas
Fiz roteiros
Perdi muitos trens
Dormi em outros sonhos
Vivi ontem como o dia de amanhã
E resolvi voltar
Meu fuso-horário anda um pouco bagunçado
Ando trocando noite por dia
Não lembro direito como se diz “sinto sua falta”
Algumas palavras não gosto mais de dizer
Algumas roupas não combinam mais comigo
Esqueci alguns tons e notas
Mas voltei!
“Eu voltei pras coisas que eu deixei”
Só mais uma vez!
Voltei...

E se...

Se eu te pedisse pra esperar 6 anos, você esperaria?
Se eu te pedisse pra chorar todos os dias, você choraria?
Se eu te pedisse conselhos, quais você me daria?
Se eu te pedisse provas, o que você me provaria?
Se eu te pedisse consolo, você me abraçaria?

E se eu não te pedisse nada?
Nada você me daria?
E se eu sumisse, em quantas pessoas você me procuraria?
E se eu morresse?
Nada ainda me diria?

E se eu te perguntasse quanto tempo você guardou?
E se eu te dissesse que o tempo não passou?
A propósito,você aprendeu a brincar com o tempo?
Quanto do teu tempo foi meu?
Quanto tempo eu fui vida?
Quanto tempo durou minha risada na sua cabeça?
Quanto tempo você precisa mais?
Quanto tempo você tem?
Quanto tempo faz?
Resta tempo?
E se o tempo parasse?
O que você faria na eternidade?


E se você fosse eu?
Quais perguntas me faria?

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Entre traços e traças

Há tempos penso em lhe escrever.
Há mais tempo ainda não nos falamos.
Uma visita, ou um telefonema seria o suficiente,
mas minhas pernas nao aguentariam, tampouco meu coração.
A mão ainda vai, dá umas tremidas e engasgadas, mas vai.
Passado o pânico do ponta-pé-inicial...um branco!
O que dizer?
Por onde começo?
Será que me apresento novamente?
Tenho vagas lembranças
de um tempo bem divertido.
Os flahes teimam em virar sombra.
Passou tanto tempo...
Não lembro mais do teu timbre.
Teu rosto me esvai pela memória.
Sobrevivem traços e traças.
Como você tá velho!
Era tão bonito...
Era,
Foi,
não é mais!
sumiu,
vôou,
desmanchou.
Não sei mais nem o que escrever!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

um leve esperar






Não é tomado pelo desespero, tão pouco pela dor, rancor, vingança ou merecimento. Me apetece a idéia do esperar no sentido literal da palavra. Um leve e sutil sentido de não planejar nada para aqui ou para além, embuído de um sentimento de confiança e esperança que me motiva a continuar esperando. Não posso negar que existe algo intuitivo e até mesmo preventivo de um inconsciente que planeja não planejar para simplesmente não se decepcionar. Mas meu planejamento é meio que ás avessas. Pisciano não entende dessas coisas de planejamento, objetivos e resultados. Isso é muito complicado pra gente, e muitas vezes pode dar errado. Me parece bem mais interessante sonhar. Minha intuição me diz que planos são um pouco frustrantes, enquanto os sonhos não são limitados por estratégias, deadlines, nem ao menos precisam ser verossímeis e concretos. Pra que tanto apego ao real, se ao passo que se entende, tudo já mudou outra vez ?
Espero assim como quem não sabe o que virá. Nem sei se algum dia acontecerá. Não sei ao menos o que de fato acontecerá. E para minha surpresa eis que algum dia acontece. A sensação do esperar sem saber o que se está esperando não é dolorida, não demora, não frustra. É tranqüila, inconstante e muito mais intensa.
É bem confortante o sentimento da espera, assim passivo e tranquilo, dessa forma eu não serei a culpada pelo não acontecimento, ou pelo resultado inesperado. É também covarde, admito. Mas que importa a covardia?

segunda-feira, 12 de maio de 2008

O que te importa ?



Quando as coisas do passado já não servem mais, a gente bota fora.
Quando a vontade passa, a gente procura coisa nova.
Quando o amor acaba, quem procura a gente é a ilusão.
E descrente de tudo a gente se pega dizendo que foi tudo ilusão, e que o que passou, passou, não importa mais.



É assim que o ser humano faz... Troca, substitui. Ser humano é mimado mesmo, suas vontades mudam assim, como quem muda de calcinha. Depois de feito, dito, pro lixo as coisas velhas. Pro lixo tudo que era lindo e perfeito. E como se não bastasse vem a ilusão dizendo que nada daquilo era verdadeiro, não era nada disso, você se enganou...e nessa vai a alegria, a paixão, a amizade, a confiança, o respeito, tudo por ralo abaixo.
Numa sucessão de encontros despretensiosos, e desencontros casuais a gente perde o que tinha, e quem tinha pra satisfazer o capricho do ego, da razão, das vontades quase que sem escrúpulos de uma memória já tão exausta de viver do passado. Do medo nasce a hipocrisia, a mediocridade, o egoísmo, e de tão deprimente as cores se perdem. Num tom de cinza a tristeza deixa tudo feio, sem graça. Num ritmo descompassado de dor, tristeza, receio e anseio.
As palavras de ódio não são piores que as de puro desdém. Ralhe comigo, mas não me ignore, isso ninguém suporta. Feito uma cadeira, mesa, caneta, alguma coisa qualquer que não carregue nenhum tipo de emoção, de importância, que não seja feita de carne e osso, que não possua sentimentos, as pessoas tornam-se objetos. Não mais de desejo, agora objetos para fins concretos , sem muita notoriedade, acerca da sua prepotência, orgulho e mediocridade. A insana vingança do amor próprio ferido ultrapassa qualquer limite de racionalidade, de humanismo, de bom senso. Esse é o pagamento justo para quem fere as regras da evolução. O mais forte vence sempre, mas quem disse que ele é o mais evoluído ?
Carrego outros tipos de valores dentro de mim. Não tenho a pretensão que alguém os siga, eles são para uso próprio, intransferíveis. São valores que aprendi durante uma vida, e ainda estão dispostos a passar por análises a todo e qualquer instante. Mas tentarei pelo resto da vida que me resta fugir do que condeno, e das pessoas que desprezo. Não quero mentiras, só as que me façam sorrir. Não quero falso moralismo, nem mediocridade, nem hipocrisia, isso não quero mesmo. Não quero gente estúpida, grossa, intolerante, orgulhosa. Quero sim pessoas que pensem além desse mundo, pensem além de sua realidade. Quero gente vivida, gente boa gente, humilde, corajosa, leal, engraçada. Esse tipo de gente que não se encontra a venda para carteiras recheadas. Gente que não sabe o que quer, mas sabe exatamente o que não quer. Gente que sonha, que acredita, gente que tenta, que constrói e não destrói doces ilusões.
Esse é o tipo de gente que cabe dentro do meu mundo, dos meus valores. Essa gente eu quero a minha volta, essa gente pode morar dentro de mim. Esse tipo de gente é o que eu quero ser. Mas onde é que elas se escondem? Alguém as vê aos montes por aí ?
Pessoas de verdade ainda existem, ou é uma raça já extinta?

Porque o tempo não pára nunca, jamais!

Queria fugir para um lugar no qual eu pudesse ser quem eu bem entendesse. Que eu pudesse falar o que me viesse à cabeça, mesmo que as palavras não fizessem o mínimo de sentido, e que as frases não fossem obrigatoriamente coerentes. Queria fugir da lógica, do raciocínio, dos argumentos, dos diálogos infindáveis. Ao menos conversar outras conversas, ouvir outras estórias e outros tons. Outras mentiras, outras verdades, qualquer coisa outra.
E por que é que o outro é tão mais interessante ? Por que é que volta e meia eu to cansada, e me dá essa vontade louca de sair correndo sem olhar para traz? Por que é tudo tão previsível, tão sensato, verdadeiro, coerente? E por que tantos porquês?
A lógica dos porquês me irrita! Me irrita as respostas prontas e elaboradas, mas me irrita mais ainda o ter sempre resposta, como se a dúvida fosse doença que precisa ser sanada. Se queres tanto perguntar, faça ao menos as perguntas certas. Pergunte o que quer saber, sem rodeios, sem jogos, sem desculpas esfarrapadas. Não me venha com brincadeiras, hoje não quero brincar! Hoje não quero nada. Não quero falar, nem ouvir...só música, e música boa. Não quero pensar, nem dormir, não quero escrever, muito menos ler. Queria mesmo ficar quieta, mas quem disse que alguém deixa?!
- Não é permitido parar senhora!
Vamos faça alguma coisa!
Se mexa!
Vai trabalhar, estudar, correr, conversar, comer, rir, chorar...
- Mas moça queria não fazer nada, só um pouquinho...
- Desculpe senhora, mas não é permitido. A senhora vai estar podendo parar quando dormir, ou quando morrer.
- Mas moça eu...
- Senhora, posso estar ajudando em mais alguma coisa?
-.... (silêncio)
- Senhora, vou estar encaminhando sua reclamação para o departamento de crise senhora, anote o protocolo por favor.
- 1111111111101111011110111

Tu tu tu ...

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Sensata insensatez




Tem dia que sei bem quem sou.
Mas tem dia que o reflexo no espelho é uma estranha, avessa, incrédula, amarga e confusa.
Nesses dias prefiro passar o dia inteiro em minha própria companhia .
Tem gente que acha que sou brava, metida e carrancuda.
Estão certos!
Mas quase sempre estou tirando um sarro!
Vivo testando reações, a minha e a dos outros.
Inquieta, calada, um pouco teimosa.
Provavelmente viajando.
Vivo a uns 20 mil pés de altura.
Longe do normal é muito mais divertido!

No meu mundo só entram sonhos.
Se quiseres entrar nele tome uma boa dose de insensatez e me convide para dançar.
Mas não se esqueça de trazer comida!
Me alimento de emoções.
Emoções de todos os tipos.
E também de boas idéias, risadas, olhares, toques e sons.
Passo a maior parte do tempo tentando deixar as coisas calmas e tranqüilas
Frequentemente meu mundo se choca com o mundo dos outros,
daí me torno aquela estranha lá de cima, triste e confusa.
No meio do turbilhão desconexo, meus pés saem do chão e eu me sinto bem melhor.

Tenho lá meus valores, mas não tentarei nunca lhe impor o que penso.
Respeito muito o que pensares, embora nem sempre concorde
Mas não me venha com falso moralismo.
Não gosto de nada que me sufoque, ou que me limite.
Também não gosto de regras.
Fujo de tudo que me aperta, e que quer me engolir.


Preciso sempre respirar novos ares.
Portanto dificilmente me encontrará parada no mesmo lugar que me deixou.
Mas não se preocupe, eu sempre volto .
A nostalgia também mora em mim.
Gosto de me perder por aí,
andar sem rumo,
e voltar tateando o caminho de casa.
Gosto mais ainda quando o acaso faz sua parte, e no meio do caminho encontro alguém como a mim.
Gosto de decifrar coisas, ler pessoas, entender olhares, sentir emoções.
Comer lugares, cheirar espíritos, lamber sentidos, tocar sonhos e ouvir as mais doces palavras.
Gosto por fim de coisas que pulsem por si só.
Normalmente gosto das coisas que não sei explicar,
depois de entendidas elas já não tem mais tanta graça.
Acontece que nem sempre eu consigo entender,
e é no meio desse processo de formação de sentido que eu me apaixono.
Disso eu gosto muito!