Tão parecidos e tão distantes.
A gente tinha a vontade de amar, mas o medo de apertar.
Tão simples e tão complicado.
Almas livres presas por corpos com finas linhas chamadas de parentesco.
A filha que dava o sermão, o pai que errava o caminho.
Egoístas tal qual.
Pra ele eu era o tatu, pra mim ele era o careca.
A gente não conversava muito, mas os olhares se entendiam.
Não vou esquecer nunca dos tapas na testa, da tua graça e dos lanches da madrugada.
Tentarei esquecer as mágoas e as palavras pesadas, se você prometer que fará o mesmo por mim.
Queria que você me visse agora, pai. Como eu brinco de mulher entendida. Como eu trabalho direitinho. Como eu tenho bons e grandes amigos. Queria que você visse que eu cresci, mas que eu ainda sou tua menina, seu tatu. O tatu que vive se escondendo e que ainda tem vergonha de dizer Eu te amo.
Saudade dói, pai.
Dói muito
