segunda-feira, 30 de junho de 2008

Entre traços e traças

Há tempos penso em lhe escrever.
Há mais tempo ainda não nos falamos.
Uma visita, ou um telefonema seria o suficiente,
mas minhas pernas nao aguentariam, tampouco meu coração.
A mão ainda vai, dá umas tremidas e engasgadas, mas vai.
Passado o pânico do ponta-pé-inicial...um branco!
O que dizer?
Por onde começo?
Será que me apresento novamente?
Tenho vagas lembranças
de um tempo bem divertido.
Os flahes teimam em virar sombra.
Passou tanto tempo...
Não lembro mais do teu timbre.
Teu rosto me esvai pela memória.
Sobrevivem traços e traças.
Como você tá velho!
Era tão bonito...
Era,
Foi,
não é mais!
sumiu,
vôou,
desmanchou.
Não sei mais nem o que escrever!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

um leve esperar






Não é tomado pelo desespero, tão pouco pela dor, rancor, vingança ou merecimento. Me apetece a idéia do esperar no sentido literal da palavra. Um leve e sutil sentido de não planejar nada para aqui ou para além, embuído de um sentimento de confiança e esperança que me motiva a continuar esperando. Não posso negar que existe algo intuitivo e até mesmo preventivo de um inconsciente que planeja não planejar para simplesmente não se decepcionar. Mas meu planejamento é meio que ás avessas. Pisciano não entende dessas coisas de planejamento, objetivos e resultados. Isso é muito complicado pra gente, e muitas vezes pode dar errado. Me parece bem mais interessante sonhar. Minha intuição me diz que planos são um pouco frustrantes, enquanto os sonhos não são limitados por estratégias, deadlines, nem ao menos precisam ser verossímeis e concretos. Pra que tanto apego ao real, se ao passo que se entende, tudo já mudou outra vez ?
Espero assim como quem não sabe o que virá. Nem sei se algum dia acontecerá. Não sei ao menos o que de fato acontecerá. E para minha surpresa eis que algum dia acontece. A sensação do esperar sem saber o que se está esperando não é dolorida, não demora, não frustra. É tranqüila, inconstante e muito mais intensa.
É bem confortante o sentimento da espera, assim passivo e tranquilo, dessa forma eu não serei a culpada pelo não acontecimento, ou pelo resultado inesperado. É também covarde, admito. Mas que importa a covardia?