A gente peca nos detalhes.
Num sim desajeitado,
num sorriso envergonhado,
nos olhos arregalados.
A gente peca no sotaque.
Na língua maior que a boca,
no coração despedaçado,
no sumiço dos abraços.
A gente falha nos pormenores.
Na angústia,
na tristeza,
na ansiedade vazia do querer.
A gente quer sempre mais.
A gente tem vontade de tudo e de nada,
quase que ao mesmo tempo.
A gente tem quase tudo,
mas tudo também é quase.
E quase tudo é quase quase nada.
Então a gente não tem nada,
mas quer tudo ao mesmo tempo.
Quase que a gente é vazio de tanto querer.
Quase, apenas pelos detalhes.
Então, quase pecamos.
Quase
terça-feira, 30 de junho de 2009
Meu bloco na rua
Os olhos de desprezo não sabiam mentir tamanha decepção.
A boca fria, o sangue quente.
Uma tontura, um tremor.
Nó na garganta,
olhos saltados,
punhos cerrados.
Cogitei te xingar,
Quase sentei e chorei.
Pensei em dar o troco,
mas nada disso eu fiz.
Botei meu vestido mais rodado,
e meu mais belo salto alto.
Passei meu melhor perfume,
teu batom preferido,
e fui para o teu lugar favorito.
Você ficou no meio da roda,
no meio do samba.
Perdido nas voltas da minha saia.
De olho nas minhas pernas.
Olhando meu sorriso,
sem a marca do meu batom.
Sentindo de longe o cheiro do meu perfume.
Mas esqueceu-se de reparar em meus olhos.
Não viu que eu encenava.
Não viu o quão triste eu estava.
Eu dei risada,
dancei até as pernas ficarem bambas,
e depois saí de fininho.
Você ficou...
Ficou contando vantagem.
Catando migalhas.
Pedindo desculpas.
Você ficou,
eu também fiquei.
Você ficou com a mentira,
eu fiquei só com a ilusão.
A boca fria, o sangue quente.
Uma tontura, um tremor.
Nó na garganta,
olhos saltados,
punhos cerrados.
Cogitei te xingar,
Quase sentei e chorei.
Pensei em dar o troco,
mas nada disso eu fiz.
Botei meu vestido mais rodado,
e meu mais belo salto alto.
Passei meu melhor perfume,
teu batom preferido,
e fui para o teu lugar favorito.
Você ficou no meio da roda,
no meio do samba.
Perdido nas voltas da minha saia.
De olho nas minhas pernas.
Olhando meu sorriso,
sem a marca do meu batom.
Sentindo de longe o cheiro do meu perfume.
Mas esqueceu-se de reparar em meus olhos.
Não viu que eu encenava.
Não viu o quão triste eu estava.
Eu dei risada,
dancei até as pernas ficarem bambas,
e depois saí de fininho.
Você ficou...
Ficou contando vantagem.
Catando migalhas.
Pedindo desculpas.
Você ficou,
eu também fiquei.
Você ficou com a mentira,
eu fiquei só com a ilusão.
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