terça-feira, 30 de junho de 2009

quase

A gente peca nos detalhes.
Num sim desajeitado,
num sorriso envergonhado,
nos olhos arregalados.

A gente peca no sotaque.
Na língua maior que a boca,
no coração despedaçado,
no sumiço dos abraços.

A gente falha nos pormenores.
Na angústia,
na tristeza,
na ansiedade vazia do querer.

A gente quer sempre mais.
A gente tem vontade de tudo e de nada,
quase que ao mesmo tempo.

A gente tem quase tudo,
mas tudo também é quase.
E quase tudo é quase quase nada.

Então a gente não tem nada,
mas quer tudo ao mesmo tempo.
Quase que a gente é vazio de tanto querer.
Quase, apenas pelos detalhes.
Então, quase pecamos.
Quase

Um comentário:

Fernando disse...

"A gente tem quase tudo,
mas tudo também é quase.
E quase tudo é quase quase nada."

clap, clap, clap. Perfeito.