terça-feira, 27 de julho de 2010

além de mim

Meu mundo não tem trave, não tem via, não tem tempo nem espaço.
Meu mundo se mexe quando me esvazio, ou quando me endireito.
Meu mundo quase sempre tá do avesso, na contra-mão das regras e no sentido oposto da realidade.
Meu mundo não cabe em lugar nenhum, não tem parte nem todo.
Meu mundo enxerga aquilo que o olho não vê, e o que a mão não alcança.
Meu mundo é feito de sobras, de retalhos, de peças de quebra-cabeça abandonado.
Meu mundo tem a idade da soma de todas as vidas que vivi, ainda que dividido por todas as pessoas que eu fui.
Meu mundo não tem porta, nem janela, nem chão, nem teto.
Meu mundo vai além da tua cortina, da tua retina e do teu bom senso.
Meu mundo não tem fim, nem começo, só tem meio.

Meu mundo é só meu porque ainda não encontrei ninguém que conseguisse enxergá-lo além de mim.

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