segunda-feira, 12 de maio de 2008

Porque o tempo não pára nunca, jamais!

Queria fugir para um lugar no qual eu pudesse ser quem eu bem entendesse. Que eu pudesse falar o que me viesse à cabeça, mesmo que as palavras não fizessem o mínimo de sentido, e que as frases não fossem obrigatoriamente coerentes. Queria fugir da lógica, do raciocínio, dos argumentos, dos diálogos infindáveis. Ao menos conversar outras conversas, ouvir outras estórias e outros tons. Outras mentiras, outras verdades, qualquer coisa outra.
E por que é que o outro é tão mais interessante ? Por que é que volta e meia eu to cansada, e me dá essa vontade louca de sair correndo sem olhar para traz? Por que é tudo tão previsível, tão sensato, verdadeiro, coerente? E por que tantos porquês?
A lógica dos porquês me irrita! Me irrita as respostas prontas e elaboradas, mas me irrita mais ainda o ter sempre resposta, como se a dúvida fosse doença que precisa ser sanada. Se queres tanto perguntar, faça ao menos as perguntas certas. Pergunte o que quer saber, sem rodeios, sem jogos, sem desculpas esfarrapadas. Não me venha com brincadeiras, hoje não quero brincar! Hoje não quero nada. Não quero falar, nem ouvir...só música, e música boa. Não quero pensar, nem dormir, não quero escrever, muito menos ler. Queria mesmo ficar quieta, mas quem disse que alguém deixa?!
- Não é permitido parar senhora!
Vamos faça alguma coisa!
Se mexa!
Vai trabalhar, estudar, correr, conversar, comer, rir, chorar...
- Mas moça queria não fazer nada, só um pouquinho...
- Desculpe senhora, mas não é permitido. A senhora vai estar podendo parar quando dormir, ou quando morrer.
- Mas moça eu...
- Senhora, posso estar ajudando em mais alguma coisa?
-.... (silêncio)
- Senhora, vou estar encaminhando sua reclamação para o departamento de crise senhora, anote o protocolo por favor.
- 1111111111101111011110111

Tu tu tu ...

2 comentários:

Mss. Kohn disse...

Fantástico!

Anônimo disse...

Bom, ela desligou. Agora meu anjo é hora de deitar em sua cama e olhar para o teto, só para desfrutar a delícia de ser e fazer o que quiser, com este corpo/alma. Afinal, o ser humano é essencialmente só e tentamos desvendar a nós mesmos durante toda vida só para tornar nosso caminho um pouco menos penoso.